12 de janeiro de 2014

Contos - Memória de uma garotinha.

Eu sempre ouvia as histórias dela. Quase nunca me importava com o enredo da história,ouvia mais por que me sentia bem ao ouvir o som da sua voz. Me lembro de uma dessas histórias onde ela disse que eu seria uma heroína , que salvaria vidas e que seria sempre alegre,e que não era pra eu me abalar com nada,e não deixar nada tirar o meu sorriso. Na época , eu entendi meio que sem entender. Era um pouco nova demais para decifrar essas palavras que adultos diziam. Tinha apenas cinco anos ,era mesmo o de se esperar. Escrevi aquilo no meu diário e prometi para eu mesma que quando crescesse, tentaria entender aquela frase e levaria ela pra sempre comigo.



Quando eu fiz dez anos de idade,ganhei uma festa de aniversário! Talvez a melhor até hoje. Minha mãe alugou pula-pula , algodão doce e tudo que uma criança gostaria de ter em uma festa. Foi ótimo , tinha várias pessoas ,algumas eu não conhecia,mas eram amigos da minha mãe . E como ela estava linda! Com o seu vestido verde-não-sei-do-que que ela adorava , e o seu cabelo solto ,um pouco bagunçado ,mas do jeito dela .O seu sorriso .. ah, o seu sorriso! Nunca a vi tão feliz como eu vi aquele dia . Sempre me chamando , dizendo que tinha orgulho de mim ,e que eu era a garota mais inteligente e linda do mundo. E ela dizia isso pra todo mundo,até mesmo pra quem só me viu naquele dia ( como a garota que ajudou a organizar a festa) . Ela olhou pra mim e disse : "Filha , você está tão linda hoje. Agora que já tem dez anos,quero que saiba de uma coisa."
Fiquei com aquilo na cabeça ,e perguntei várias vezes o que era , mas ela só disse que só me falaria no outro dia. Tudo bem. Esperei ansiosamente . Se você quer saber,eu até acordei cedo e tentei fazer um café da manhã na cama pra ela,e olha que nem era nenhuma data especial ,e nem tinha aula. Como eu disse,eu tentei,por que o leite acabou derramando ..e o pão,bem , e o pão eu comi.
Me arrumei e ela me levou pra escola . Na hora de descer do carro, ela me deu um beijinho na testa como de costume e disse que me amava , e eu retribui. Eu estava empolgada ,por que era dia de aula de matemática. Quando a van veio me buscar , sentir algo ruim em meu corpo.Nunca havia sentido antes ..
Desci e fui correndo pra minha mãe dizer o que eu havia sentido. Procurei na sala , na cozinha ,e nada de encontra-la . Fui no quarto e tudo que encontrei foi um papel que estava escrito :
" Filha , quando soube que estava grávida de você , soube que eu tinha um sério problema de saúde , e que só uma de nós sobreviveríamos . Fui atrás de ajuda,médicos , especialistas e nenhum encontrou uma solução .A única alternativa que eu tinha era de um doador , mas como a mamãe já explicou pra você , fila de doador são grandes e demoradas.Com um pouco de sorte ,eu consegui um . Ela não teve filhos por não poder , então ela só me doaria o orgão com um porém : Quando você completasse dez anos,teria que deixar você com ela. Para sempre. Bem , eu não tive escolha . Ou era eu deixar você com ela,ou você morreria,e isso era a única coisa que a mamãe não queria. Eu te amo filha ,fiz isso pelo seu bem e espero que entenda isso.Ela chegará em meia hora para buscar suas coisas." Mais do que nunca tentei encontrar minha mãe ,liguei para ela mas o celular estava desligado.Fui na área,e a encontrei. Morta. E na parede estava escrito : "Não suportei a ideia de te perder ,me desculpa filha. Eu te amo,pra sempre vou te amar."
Agora eu entendo o por que da frase, e eu queria que aquelas palavras jamais fossem ditas.


                                                                                                                               
É isso gente,espero que tenham gostado do conto que escrevi .. Opiniões CONSTRUTIVAS serão sempre bem vindas.. (= Um beijo da rafa , :*

0 comentários:

Postar um comentário

 
Welcome to my life
Siga meu insta!
Ana Liberato